(1926-2023)
Mais sobre o autor...Nasceu em Grão Mogol, Minas Gerais, no dia 08 de janeiro de 1926.
Filho de humildes camponeses iletrados, seu pai, Joaquim Damasceno Ferreira, sabia a tabuada de cor e catequisava alguns trabalhadores rurais, junto a suas famílias.
Poucos dias após o nascimento de Nelson Damasceno Murça, como ele mesmo redigiu,” suas ordens espirituais multiplicaram-se no ramo da sabedoria, e ele, extraordinariamente, abrangiu a órbita terrestre com todos os segredos da natureza, que resumindo em uma só palavra, a explicação só poderia ser Deus”.
Quando criança, recebia repreensões constantes e surras de sua mãe, quando vinha a revelar alguma coisa misteriosa, pois sua mãe temia que ele viesse a sofrer como Jesus Cristo sofreu e morreu. Ela sempre o advertia com a instrução de” ouvir, saber e calar para sua vida durar”.
Tentava passar o que sabia a alguns colegas de campo, recebendo apenas zombarias dos mesmos.
Socorria os animais brutalmente maltratados na roça.
A oração, sobretudo do terço, sempre fez parte de sua devoção.
Foi seu próprio professor, utilizando-se de carvão e tauá, e fazendo do chão seu caderno.
Seu pai, vendo seu interesse por estudos, resolveu deixa-lo numa pensão para que ele pudesse estudar, onde passou um ano e meio num regime de semi escravidão, trabalhando sem trégua, sendo maltratado e comendo comida estragada.
Sabia várias profissões sem nunca ter aprendido com ninguém: fazia oratórios talhados, violões, serviços na parte elétrica, alfaiataria e de construção civil, construindo sua própria casa em Montes Claros e algumas igrejas voluntariamente no município de Barrocão e de Grão Mogol.
Seu físico franzino nunca o impediu de trabalhar em prol do próximo.
Desde criança, Deus permitiu que ele visse o futuro que ao próprio Deus pertence, e ele socorria pessoas do mundo inteiro.
Não suportando os maus tratos aos animais, teve de abandonar a roça.
Devido a problemas na fala, não conseguiu realizar sua vontade de ser um padre missionário, então casou-se, tendo quatro filhos. Sua esposa, ao desconfiar de seus dons, revoltou-se, e diante disso, resolveram continuar na mesma casa, mas como amigos, como ficaram até o resto de sua vida.
Vendo que não havia aceitação na divulgação de seus conhecimentos, começou a escrever um livro, Vida Simultânea, no qual defende Deus e prova Sua existência. Pediu que seus escritos fossem divulgados gratuitamente por todo o mundo.
Morreu lutando para regularizar os 92 alqueires de terra deixados por seu pai, Joaquim Damasceno Ferreira em Grão Mogol.
Desde criança, Nelson Damasceno Murça andava com seu pai e o ajudava nos serviços na fazenda. Seu pai, mostrou-lhe as fazendas que ele havia adquirido, e pediu que o mesmo tomasse conta das mesmas sempre, e quando ele não mais estivesse aqui.
Seu pai, Joaquim Damasceno Ferreira, às custas de muito trabalho, adquiriu 03 fazendas em Grão Mogol(MG), que totalizam 92 alqueires. Nelson cumpriu sua palavra até o fim de sua vida, e nunca descuidou das mesmas.
Porém, o genro de Joaquim Damasceno, em determinada época, passou a morar de favor nas terras de Joaquim, e este genro e seus filhos, no interesse de tomar posse de tudo, começaram a espalhar que Joaquim Damasceno não havia comprado nada e que as escrituras eram falsas.
E este comportamento desonesto, foi tomando conta de todos os herdeiros, que ao invés de combaterem esse erro, passaram a não querer falar no assunto, inclusive, alguns espalhavam nas festas do interior em Barrocão que o pai não havia deixado nada e que Nelson estava louco.
Nelson nunca parou de lutar, tentando provar a verdade até o fim de sua vida, correndo risco de vida: logo que o genro de seu pai Joaquim Damasceno faleceu, Nelson foi até as fazendas, e assentou 14 placas, sinalizando quem eram os verdadeiros donos.
Após as placas assentadas, os próprios herdeiros, por pirraça, combinaram de as destruírem e continuaram espalhando o falso boato de que Nelson estaria doido.
Prosseguia sua luta, escrevendo diversos artigos em jornais de Montes Claros, alertando os herdeiros da necessidade de tomar posse das terras.
Já muito idoso, corria contra o tempo, telefonava para os herdeiros diversas vezes, pedia ajuda aos mesmos, ao que estes respondiam para que ele deixasse para lá.
E, como estes mesmos herdeiros queriam, um a um dos irmãos de Nelson vem morrendo, e deixando tudo pra lá.
Em resumo, por pirraça e por um comportamento anormal que não vem de Deus, todos, exceto duas pessoas da família, combinaram ser do contra.
Nelson morreu também por desgosto, tentando mostrar a verdade e pedindo que limpassem seu nome, o que não foi feito por nenhum dos descendentes.
Eu, sobrinha de tio Nelson, sabendo de seu comportamento honesto e de sua profunda lucidez, testemunho que soube de tudo, tentei ajuda-lo junto a minha outra prima, mas infelizmente a maldade já havia se espalhado.
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